Berlim no Verão – Roteiro de 6 dias

Nesteblog, vamos falar um pouquinho de Berlim, porém com um detalhe muito importante: é verão na capital alemã. Por que dar atenção a isso? O inverno de Berlim é tão intenso – chega a durar seis meses -, que tanto os berlinenses como a cidade se transforma na quente e alta e temporada. Ao poucos, porém estáveis dias de calor e a cidade vira uma festa.

Por sua própria história, Berlim já é uma cidade anárquica, livre e amada pelos jovens a ponto de ser reconhecida na Europa como a capital dos clubs.

Escolhi conhecê-la em agosto porque o frio não á para mim e queria sentir como tudo se transforma no verão. Para se ter uma ideia, amanhece em torno das seis da manhã e só escurece por volta das dez da noite. Para mim, foi ideal ter tantas horas para aproveitar a cidade sem antes anoitecer.

Um outro ponto forte de Berlim é o verde. São muitos parques e lagos, os moradores têm a bicicleta como meio de transporte principal, além de caminharem muito, e para vegetarianos e veganos é o paraíso.

Por falar em transporte público, saiba que apesar de o sistema funcionar bem e te levar para todo canto da cidade, não é muito barato e muitas vezes é preciso caminhar bastante para chegar a algum lugar, afinal os quarteirões são bem largos. O passe semanal que dá direito a metrô (U-Bahn), trem (S-Bahn), bonde (Tram) e ônibus, nas zonas A e B (principais áreas) custa 30 euros – viável para turistas, mas bastante caro para os cidadãos locais, levando em conta que o custo de vida em Berlim é um dos mais baixos das cidades alemãs, que tem alta taxa de desemprego e salários também bem inferiores a Munique e Frankfurt, por exemplo.

Viajar para Berlim em qualquer época do ano por si só é uma aula de história. Ali, de frente para os fatos e acontecimentos passados, é muito mais fácil entender as consequências da Segunda Guerra Mundial para a humanidade e especialmente para a Alemanha, depois dividida entre Oriental (comunista) e Ocidental (capitalista). Em Berlim, como todos sabem, o maior símbolo da Guerra Fria foi a construção do Muro de Berlim, que de 1961 a 1989 dividiu a cidade, separando família e amigos. Isso faz de Berlim uma cidade única, cujas marcas políticas e sociais ainda podem ser sentidas até hoje.

Vamos ao roteiro? Mas antes, uma dica: estudem um pouco sobre a ditadura de Adolf Hitler, o Nazismo, o Holocausto, a Guerra Fria e a antiga União Soviética se quiser uma viagem muito mais enriquecedora e interessante.


 

Primeiro Dia

Começamos nossa viagem pela famosa Alexander Platz, um dos mais famosos Centros da Berlim Oriental (comunistas), onde está a antiga Torre de TV. Está longe de ser um dos pontos mais bonitos da cidade, mas muitos turistas gostam de ficar nessa localização, pois hoje ela é uma praça rodeada de lojas e têm uma estação de metrô com inúmeras baldeações para a cidade toda.

Nessa praça existem algumas lojas enormes de departamentos como a TK Maxx e a Primark, esta última com artigos de vestimentas realmente muito baratos. Outra loja é a Kaufhof – maior e mais completa, vende bolsas, roupas, cosméticos e ainda tem um supermercado muito interessante, uma Deli de comida de comida Italiana e um restaurante asiático com valores bem acessíveis, cerca de 8 euros a refeição por pessoa.

A uma curta caminhada, aproximadamente 1 km, chega-se a Weinmeisterstrasse, no coração do bairro do Mitte (mais sofisticado), com uma série de restaurantes, cafés, lojas de grifes internacionais e design. Acabei almoçando nessa região e adorei!

Sugestão para o almoço: Currywurst, um prato típico berlinense, salsicha (para nós brasileiro parece mais uma linguiça), ketchup ao curry e batata frita, muito saboroso.

Seguindo a nossa caminha chega-se ao Hackescher Markt, que tem uma feira de comida de rua superinteressante e, envolta da praça, diversos café e restaurantes com comida típica. Ali também está a Muji, loja japonesa que todo bom turista adora quando vai à Europa. Acho que agora já é a hora de relaxar e tomar uma cerveja genuinamente alemã, hein?!

Se ainda estiver com ânimo, depois de toda essa caminhada, sugiro uma programação cultural noturna pelo Mitte, como um espetáculo de dança na Sophiensælen,  uma peça de teatro no Volksbühne Berlin (conhecido como o Teatro do Povo) ou uma caminhada sem compromisso até chegar à Ilha dos Museus (em alemãoMuseumsinsel), na beira do rio Spree,. No passado, ali o grandioso Berliner Stadtschloss, demolido em 1950 pelo g overno comunista da República Democrática Alemã, que o considerava uma recordação inaceitável do imperialismo.

Clipboard01 Praça Alexander Platz

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Weinmeisterstrasse



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Weinmeisterstrasse

 

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Doceria dentro do Kaufhof

 

Segundo Dia

Sugiro começar o seu dia com um tour à pé e “grátis”! Esse tour dura em torno de três horas, é oferecido pela empresa Sandemans New Berlin e acontece todos os dias nos seguintes horários: 10h, 11h, 14h e 16h.

O ponto de encontro fica em frente ao Portão de Brandenburgo, e a informação mais importante é que esse tour só tem guias que falam inglês ou alemão – para acompanhar, é preciso ter um nível médio de compreensão. No entanto, se marcar pelo site com antecedência, talvez o turista consiga fazer o passeio em espanhol.

Ao final do passeio, é só pagar ao guia (que por sinal foi muito bom) o quanto você achar justo – a média que os turistas dão é 5 euros.

  • Essa caminhada é uma verdadeira aula sobre Berlim, passando pela história da cidade, Holocausto, Muro de Berlim, Checkpoint Charlie, Bunkers e outras curiosidades, até chegar na famosa Torre de TV da Alexander Platz.

 

Mais informações: www.newberlintours.com

Segue o itinerário:

  • Pariser Platz
  • The Brandenburg Gate
  • The Memorial to the Murdered Jews of Europe
  • The Site of Hitler’s Former Bunker
  • Luftwaffe HQ
  • The Berlin Wall
  • The Former SS Headquarters
  • Checkpoint Charlie
  • The 1920s Cabaret Mile
  • Gendarmenmarkt
  • The Old Royal Boulevard
  • The TV Tower

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Portão de Brandenburgo – início do tour

 

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Memorial do Holocausto

 

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 Torre da TV – ao lado da Praça Alexander Platz

 

Terminei o tour por volta das 13h30 e acabei almoçando por Alexander Platz.

Por volta das 16h, segui para Kreuzberg, também conhecido como X-Berg, bairro bastante turístico e descolado que já foi somente dos imigrantes (principalmente turcos), até ser dividido por artistas jovens, baladas e famílias.

X-Berg tem uma importância histórica para cidade, pois sua diversidade cultural está ligada diretamente ao Muro de Berlim (1961-89), já que este dividia o bairro ao meio. Kreuzberg ficou na Alemanha Ocidental (capitalista) e acabou buscando mão de obra nos imigrantes que ali chegaram nos anos 1960.

É uma área da cidade muito arborizada e agradável, principalmente na primavera e verão, uma vez que encontra-se ali um dos Canais que desaguam no Rio Spree. Os jovens de idade e alma sentam-se à beira do canal e lá fazem verdadeiras festas e piqueniques regados a vinho, cerveja, música e muita diversão. Para quem preferir, há ótimos restaurantes tailandês, japoneses e italianos de frente para o canal, na Rua Paul Linker Ufer.

Ainda na região, vale uma visita ao Museu Berlinische Galerie, com um acervo muito legal sobre a história de Berlim

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Beira do Canal – Kreuzberg

 

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Restaurante em Landwehrkanal (beira do Canal Landwehr)

 

 

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 Edifícios Residenciais de uma parte mais nobre de Kreuzberg

 

 

Terceiro Dia

Muito calor em Berlim? O verão é curto, mas quando esquenta é para valer! Na beira dos 35 graus, nada melhor do que começar o dia em uma piscina, certo? Melhor ainda se a piscina for “dentro” do Rio Spree e com paisagem e energia ótimas.

Onde fica esse lugar? Anote aí: Badeschiff Arena Berlin, que nos dias de verão é uma “praia-balada” do berlinense. Tem uma piscina de água doce tratada (na verdade é um antigo container) dentro do Rio Spree, e em volta dela há uma tremenda estrutura de lazer: lugar para tomar sol, lanchonete, bar, música, área para show e mais. Com cair da tarde, o lugar vai virando uma baladinha muuuuuuuito legal. A entrada custa 8 euros, mas vale a pena.

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Badeschiff Arena Berlin


No período da tarde, visitar os museus da Ilha dos Museus (que já falei mais aí em cima), pode ser uma boa. São cinco instituições de arte, uma ao lado da outra, em um espaço que também abriga a belíssima Catedral de Berlim, com área para lazer, música e instalações. É até difícil saber por onde começar.

 

Se ainda tiver pique, sugiro acabar a noite em Oranienburger Straße, bem no coração  de Mitte, e ao norte do Rio Spree. É uma das ruas mais visitadas pelos turistas por oferecer uma série de restaurantes, cafés, lojas de chocolates e casas noturnas. Bem próximo está o Clärchen Ballhaus, um salão de dança dos anos 1920, com biergarten na entrada. Essa foi minha escolha para o jantar, e é claro que recomendo um prato típico e cerveja.

Ah, em cada dia da semana há um tipo de música diferente. Chegue mais cedo e participe das aulas, se gostar da ideia. Tudo ali, além de muito animado, é saboroso!

 

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Clärchen Ballhaus

 

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 Schnitzel – Vitela empanada, servida com salada de batata – Prato típico do Clärchen Ballhaus

 

Quarto Dia

Potsdam, cidade muito próxima a Berlim que merece um dia inteiro de visita.

Uma viagem de trem que dura 50 minutos e já estamos em Potsdam, conhecida principalmente por seu legado histórico como antiga residência da Prússia, com seus diversos castelos e parques incomparáveis. O brilho e a glória da Prússia, a tradição como cidade de grandes mestres da arquitetura e cientistas, centro dos acontecimentos durante a Guerra Fria, Potsdam é cultura e história em dimensões de tirar o fôlego.

O Parque Sanssouci é a principal atração local. Lindo, possui 287 hectares e é um dos mais belos complexos de palácios da Europa. Foi usado como Palácio de Verão por Frederico, O Grande.

A cidade toda é muito charmosa, e uma boa dica é caminhar pelos jardins e ruas, fazer um passeio de barco e sentir bem a cidade antes de voltar para Berlim no fim da tarde.

 

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Palácio de Sanssouci

 

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Park Chalottenhof

 

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Potsdam

 

 

Quinto Dia

Meu quinto dia caiu exatamente em um domingo, dia muito animado em Berlim, já que o comércio geral fecha (com exceção dos restaurantes) e todos aproveitam sem pressa.

Comecei logo no Weissensee, uma “ praia de lago”, com toda a estrutura para passar o dia: vestiários, restaurantes, bar, salva-vidas e um lago MARAVILHOSO para nadar!

 

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Lago Weissensee

 

 

Foi a minha primeira experiência desse tipo e pude constatar que nadar em lagos é muito legal. Depois de curtimos a “praia”, seguimos para Prenzlauer Berg, mais um dos bairros com animação noturna e que desponta no cenário cultural e artístico de Berlim.

Grande parte do bairro escapou dos danos da Segunda Guerra Mundial e manteve seu charme, e hoje oferece inúmeras opções de compras da modas e muitos estilistas stretstyle. É o bairro preferido pelos jovens casais, sendo atualmente um bairro famoso pelo seu baby boom.

Nessa localização privilegiada está o MAUERPARK, um parque que é atração obrigatória aos domingos, principalmente na primavera e verão, quando acontece um karaokê muito divertido.

Aos domingos, também acontece ali uma feira de antiguidades bem bacana, apresentações de artistas de ruas e alguns eventos na Biergarten do local, onde todos convivem e se divertem juntos.

Realmente é um passeio para o dia todo e IMPERDÍVEL!!!

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Karaoke – MAUERPARK

 

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MAUERPARK

 

Clipboard21MAUERPARK- Vista Geral

 

 

 

Sexto Dia

Chegamos ao sexto e último dia, e como boa turista curiosa não poderia deixar de conhecer a região de Potsdamer Plaz.

Potsdamer Platz reúne uma série de construções enormes e modernas bem ao estilo americano, como o Sony Center, um galpão enorme com bares, restaurantes e cinema, e que está ao lado a Legolândia (que em Berlim é fechada e mais parece um bufê infantil do que um parque, mas que em dias de chuva é uma ótima opção para ir com as crianças).

Todas os eventos de pré-estréia de filmes famosos ocorrem dentro do Sony Center, assim como o festival Berlinale, já que dentro dele está o interessantíssimo Museu do Cinema.

 

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Detalhe do Teto do Sony Center

 

Ainda em Potsdamer Platz está um shopping chiquérrimo de Berlim, o Potsdaner Platz Arkaden, que para os amantes de compras é um programa imperdível! No complexo ainda encontramos hotéis de luxo, como o Hyatt e outros.

É uma região muito bonita e organizada, moderna, não o que eu busco em uma viagem a Europa, pois prefiro os prédios antigos e conservados, cheios de história, mas isso é gosto e independente da minha opinião vale a visita.

Logo ao Lado do Complexo de Potsdam Platz está a Filarmônica de Berlim, uma das mais conceituadas da Europa e do mundo e visita obrigatória do turista. Caso você não consiga agendar nenhuma apresentação, mas está em Berlim em uma terça-feira, aproveite para ver a lunch session gratuita que acontece nas escadarias do prédio, às 13h. Mas uma informação importante: de julho a agosto a Filarmônica está fechada. Como todos os europeus os músicos também estão de férias nessas datas, infelizmente não vi a apresentação, mas ouvi maravilhas sobre eles!!

 

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Prédio da Filarmônica de Berlim

 

Caminhando mais um pouco, logo atrás da filarmônica há uma ilha de Museus muito interessantes e o Maior Parque da Cidade o Tiergarten.

Aproveite seu último dia, caminhe sem pressa no Parque e jante na Biergarten do Parque, pois você não irá se arrepender e trará as melhores lembranças de Berlim.

 

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Biergarten !

 

Espero que tenham gostado, bjs e até a próxima!! 😉

por Andressa Simão

 

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